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segunda-feira, 23 de maio de 2011

CAIXA DE PANDORA



O Mito de Pandora

Zeus – o deus supremo da mitologia grega - é fruto de uma complicada teogonia que se assemelha à genealogia humana. Bravo e vingativo, o deus dos gregos casou-se inúmeras vezes gerando uma sucessão de outros menores: Apolo, Hebe, Hermes, as Musas, etc.
Diz-se do estranho chefe do Olimpo que havia ódio em seu coração e que tinha prazer em castigar os homens. E que certa vez, para vingar-se de certo humano de nome Prometeu que roubara uma faísca do sol para com ela iluminar a inteligência dos homens, o mal humorado superintendente celeste resolve castigá-los fazendo-os se perder para sempre por meio de uma mulher extremamente bela, detentora de todos os dons, Pandora, a primeira mulher!
Ela é criada e enviada a Epimeteu (o que vê depois), embora Prometeu (o previdente) houvesse aconselhado seu irmão a não aceitar nenhum presente de Zeus de quem desconfiava muito. Ela traz consigo do Olimpo um presente de núpcias para Epimeteu: uma arca de ouro hermeticamente fechada.
Segundo Hesíodo, o poeta camponês, Pandora teria aberto a caixa levada pela curiosidade ,de onde saem todas as desgraças e calamidades para os homens que viviam tranqüilos e felizes até então. Ao fechá-la,  rapidamente, conseguiu prender em seu interior a esperança que por séculos ficaria encerrada como uma promessa de retorno aos felizes e ditosos tempos da infância da espécie humana sobre a Terra.
A curiosa lenda traz consigo aspectos interessantes relacionados com outras lendas e crendices que fazem parte de outras culturas, e com muitos preconceitos que até hoje sobrexistem.
Sobre a curiosidade da primeira mulher, que muito tem a ver com a indiscrição, e que não é somente feminina, e suas conseqüências desastrosas , pode-se dizer que na história real do ser humano ela transformou-se num terrível defeito que tem causado muitas desgraças e calamidades; que conduz ao intrometimento, à indiscrição, à superficialidade, à vulgaridade, ao efêmero. Compreensível no homem pré-histórico e nas crianças, que de certa forma reproduzem a evolução da espécie desde os primeiros tempos, e também nos homens de ciência em suas investigações, é inaceitável para o homem de hoje quando o torna distante de si , atento a tudo quanto ocorre ao seu redor, mas alheio ao que ocorre com  sua pessoa.
O mito de Pandora pode nos levar a muitas conclusões:  desde a inutilidade de um deus vingativo até a necessidade  de se transcender estados inferiores de evolução; a necessidade de rever os preconceitos que existem relacionados com a mulher, cuja graça e beleza não poderiam nunca ser  invólucro do pecado e da desgraça especialmente encomendados por um Zeus duvidoso.
A esperança, providencialmente encerrada na caixa de Pandora, residiria na possibilidade da superação das condições humanas a partir da evolução pessoal de cada indivíduo que sentisse a necessidade de construir um mundo melhor para si e para a humanidade .

www.nagibanderaos.com.br
www.twitter.com/anderaosnagib


Nagib Anderáos Neto
Publicado no Recanto das Letras em 01/09/2005
Código do texto: T46842

sexta-feira, 20 de maio de 2011

MITO DA CAVERNA


O Mito da Caverna

reprodução
   Platão    (428-347)
O Mito da Caverna narrado por Platão no livro VII doRepublica é, talvez, uma das mais poderosas metáforas imaginadas pela filosofia, em qualquer tempo, para descrever a situação geral em que se encontra a humanidade. Para o filósofo, todos nós estamos condenados a ver sombras a nossa frente e tomá-las como verdadeiras. Essa poderosa crítica à condição dos homens, escrita há quase 2500 anos atrás, inspirou e ainda inspira inúmeras reflexões pelos tempos a fora. A mais recente delas é o livro de José Saramago A Caverna.

A Condição Humana
Platão viu a maioria da humanidade condenada a uma infeliz condição. Imaginou (no Livro VII de A República, um diálogo escrito entre 380-370 a.C.) todos presos desde a infância no fundo de uma caverna, imobilizados, obrigados pelas correntes que os atavam a olharem sempre a parede em frente. O que veriam então? Supondo a seguir que existissem algumas pessoas, uns prisioneiros, carregando para lá para cá, sobre suas cabeças, estatuetas de homens, de animais, vasos, bacias e outros vasilhames, por detrás do muro onde os demais estavam encadeados, havendo ainda uma escassa iluminação vindo do fundo do subterrâneo, disse que os habitantes daquele triste lugar só poderiam enxergar o bruxuleio das sombras daqueles objetos, surgindo e se desafazendo diante deles. Era assim que viviam os homens, concluiu ele. Acreditavam que as imagens fantasmagóricas que apareciam aos seus olhos (que Platão chama de ídolos) eram verdadeiras, tomando o espectro pela realidade. A sua existência era pois inteiramente dominada pela ignorância (agnóia).

Libertando-se dos grilhões
Se por um acaso, segue Platão na sua narrativa, alguém resolvesse libertar um daqueles pobres diabos da sua pesarosa ignorância e o levasse ainda que arrastado para longe daquela caverna, o que poderia então suceder-lhe? Num primeiro momento, chegando do lado de fora, ele nada enxergaria, ofuscado pela extrema luminosidade do exuberante Hélio, o Sol, que tudo pode, que tudo provê e vê. Mas, depois,
reprodução (estátua de Rodin)
   Livre é quem pensa
 aclimatado, ele iria desvendando aos poucos, como se fosse alguém que lentamente recuperasse a visão, as manchas, as imagens, e, finalmente, uma infinidade outra de objetos maravilhosos que o cercavam. Assim, ainda estupefato, ele se depararia com a existência de um outro mundo, totalmente oposto ao do subterrâneo em que fora criado. O universo da ciência (gnose) e o do conhecimento (espiteme), por inteiro, se escancarava perante ele, podendo então vislumbrar e embevecer-se com o mundo das formas perfeitas.

As Etapas do Saber
Com essa metáfora - o tão justamente famoso Mito da Caverna - Platão quis mostrar muitas coisas. Uma delas é que é sempre doloroso chegar-se ao conhecimento, tendo-se que percorrer caminhos bem definidos para alcançá-lo, pois romper com a inércia da ignorância (agnosis) requer sacrifícios. A primeira etapa a ser atingida é a da opinião (doxa), quando o indivíduo que ergueu-se das profundezas da caverna tem o seu primeiro contanto com as novas e imprecisas imagens exteriores. Nesse primeiro instante, ele não as consegue captar na totalidade, vendo apenas algo impressionista flutuar a sua frente. No momento seguinte, porém, persistindo em seu olhar inquisidor, ele finalmente poderá ver o objeto na sua integralidade, com os seus perfis bem definidos. Ai então ele atingirá o conhecimento (episteme). Essa busca não se limita a descobrir a verdade dos objetos, mas algo bem mais superior: chegar à contemplação das idéias morais que regem a sociedade - o bem (agathón), o belo (to kalón) e a justiça (dikaiosyne).

reprodução


O Visível e o Inteligível

reprodução
   No exercício da vida
Há pois dois mundos. O visível é aquele em que a maioria da humanidade está presa, condicionada pelo lusco-fusco da caverna, crendo, iludida que as sombras são a realidade. O outro mundo, o inteligível, é apanágio de alguns poucos. Os que conseguem superar a ignorância em que nasceram e, rompendo com os ferros que os prendiam ao subterrâneo, ergueram-se para a esfera da luz em busca das essências maiores do bem e do belo (kalogathia). O visível é o império dos sentidos, captado pelo olhar e dominado pela subjetividade; o inteligível é o reino da inteligência (nous) percebido pela razão (logos). O primeiro é o território do homem comum (demiurgo) preso às coisas do cotidiano, o outro, é a seara do homem sábio (filósofo) que volta-se para a objetividade, descortinando um universo diante de si.

O Desconforto do Sábio
Platão então pergunta (pela boca de Sócrates, personagem central do diálogo A República), o que aconteceria se este ser que repentinamente descobriu as maravilhas do mundo dominado por Hélio, o fabuloso universo inteligível, descesse de volta à caverna? Como ele seria recebido? Certamente que os que se encontram encadeados fariam mofa dele, colocando abertamente em dúvida a existência desse tal outro mundo que ele disse ter visitado. O recém-vindo certamente seria unanimemente hostilizado. Dessa forma, Platão traçou o desconforto do homem sábio quando é obrigado a conviver com os demais homens comuns. Não acreditam nele, não o levam a sério. Imaginam-no um excêntrico, um idiossincrático, um extravagante, quando não um rematado doido (destino comum a que a maior parte dos cientistas, inventores, e demais revolucionários do pensamento tiveram que enfrentar ao longo da história).

Quais as Alternativas

reprodução (Platão e Aristóteles, detalhe de Rafael)
   A sabedoria deve ser    partilhada
Deveria por isso o sábio então desistir? O riso e o deboche com que invariavelmente é recebido fariam com que ele devesse se afastar do convívio social? Quem sabe não seria preferível que ele se isolasse num retiro solitário, com as costas voltadas para a cidade. Hostil à idéia da vida monacal ao estilo dos pitagóricos, Platão foi incisivo: o conhecimento do sábio deve ser compartilhado com seus semelhantes, deve estar à serviço da cidade. O filósofo cheio de sabedoria e geometria que leva uma existência de eremita, acreditando-se um habitante das ilhas afortunadas, de nada serve. Isso porque a lei não se preocupa em assegurar a felicidade apenas para uma determinada classe de cidadãos (no caso, os sábios), mas sim se esforça para "realizar a ventura da cidade inteira". A liberdade que os sábios (o conhecimento dá aos seus portadores a sensação de liberdade) parecem gozar não é para eles "se voltarem para o lado que lhes aprouver, mas para fazê-los concorrer ao fortalecimento do laço do Estado".

O Governo dos Sábios

reprodução
   O governo deve ser dos    sábios
Platão não ficou apenas na recomendação de que os sábios devem socializar o conhecimento. Ousou ir bem mais além. Justamente por eles, os filósofos, serem menos "apressados em chegar ao poder" (sabendo perfeitamente distinguir o visível do inteligível, a imagem da realidade, o falso do verdadeiro), é que devem ser chamados para a regência das sociedade. A presença deles impediria as sedições e as intermináveis lutas civis internas tão comuns
reprodução
   O filósofo e o seu    discípulo
entre os diversos pretendentes rivais, "gente ávidas de bens particulares", sempre em luta, divergindo com espadas, na tentativa de ficar com o poder. O governo da cidade cabe pois aos mais instruídos e aos que manifestam mais indiferença ao poder, ainda que seja a característica do sábio "o desprezo pelos cargos públicos", pela simples razão deles terem sido os únicos a terem vislumbrado o bem, o belo e o justo.

Os Dois Mundos de Platão

Mundo visívelMundo invisível
A sua geografia limita-se ao espaço sombrio da cavernaÉ todo universo fora da caverna, o espaço composto pelo ar e pela terra inteira
Caracteriza-se pela escuridão, é um mundo de sombras, de lusco-fusco, de imagens imprecisas (ídolos)Dominado pela claridade exuberante de Hélio, o Sol que tudo ilumina com seus raios esplendorosos, permitindo a rápida identificação de tudo, alcançando-se assim a ciência (gnose) e o conhecimento (episteme)
Nele o homem se encontra encadeado, constrangido a olhar só para a parede na sua frente, ficando com a mente embotada, preocupando-se apenas com as coisas mesquinhas do seu dia-a-diaPlenitude do homem liberto da opressiva caverna, podendo investigar e inquirir tudo ao seu redor conhecendo enfim as formas perfeitas
Homem dominado pelas sensações e pelos sentidos mais primáriosHomem orientado pela inteligência (nous) e pela razão (logos)
Em situação de desconhecimento e ignorância (agnosis)Em condições de cultivar a sabedoria e a busca pela verdade e pelo ideal da junção do bem com o belo (kalogathia)
Condição em que se encontra o homem comumCondição do filósofo
Fonte: http://educaterra.terra.com.br/voltaire/cultura/caverna3.htm#inicio


quarta-feira, 18 de maio de 2011

HOJE (18/05/11) É COMEMORADO O DIA DO MUSEU




A palavra “MUSEU” , de origem grega, significa “templo das musas”., e já era usado em Alexandria para designar o local destinado ao estudo das artes e das ciências.

Hoje, o International Concil of Museums a instituição que conserva coleções de objetos de arte ou ciências, para fins de preservação ou apresentação pública.      


Os museus modernos foram criados no século  XVII a partir de doações de coleções particulares como a de Grimani a Veneza. Mas, o primeiro museu como conhecemos hoje surgiu a partir da doação da coleção de John Tradescant, feita por Elias Ashmole, à Universidade de Oxford, conhecido como Ashmolean Museum. O segundo museu público foi criado em 1759, por obra do parlamento inglês, na aquisição da coleção de Hans Sloane (1660-1753), que deu origem ao Museu Britânico.

O primeiro museu público só foi criado, na França, pelo Governo Revolucionário, em 1793: o Museu do Louvre, com coleções acessíveis a todos, com finalidade recreativa e cultural.


O Séc. XIX surgem muitos dos mais importantes museus em todo o mundo, a partir de coleções particulares que se tornam públicas: Museu do Prado (Espanha), Museu Mauritshuis (Holanda).



Somente em 1870, nos Estados Unidos, é fundado o Museu Metropolitano de Arte, em Nova York.



No Brasil, o primeiro museu data de 1862, o Museu do Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano (Pernambuco). Os outros museus brasileiros foram todos fundados durante o século XX, sendo o mais importante, pela qualidade do acervo, o MASP - Museu de Arte de São Paulo, fundado em 1947.

Referências:

Besset, Maurice. "Obras, espacios, miradas. El museo en la historia del arte contemporáneo", in A&V-Monografías de Arquitectura y Vivienda, Madrid, 1993
BOURDIEU, Pierre e DARBEL, Alain. L’amour de l’art: les musées et leur public. Paris, Minuit, 1966
DELOCHE, Bernard. Museologica. Contradictions et logique du musée. Pref. André Desvallées. Éditions W, Mâcon,1989
Enciclopædia Britannica do Brasil
SHERMAN, Daniel J., ROGOFF, Irith (ed.) et alii. Museum Culture. Histories. Discourses. Spectacles. Routledge, London, 1994

terça-feira, 10 de maio de 2011

FOLCLORE BRASILEIRO



O que é Folclore

Podemos definir o folclore como um conjunto de mitos e lendas que as pessoas passam de geração para geração. Muitos nascem da pura imaginação das pessoas, principalmente dos moradores das regiões do interior do Brasil. Muitas destas histórias foram criadas para passar mensagens importantes ou apenas para assustar as pessoas. O folclore pode ser dividido em lendas e mitos. Muitos deles deram origem à festas populares, que ocorrem pelos quatro cantos do país.
As lendas são estórias contadas por pessoas e transmitidas oralmente através dos tempos. Misturam fatos reais e históricos com acontecimentos que são frutos da fantasia. As lendas procuraram dar explicação a acontecimentos misteriosos ou sobrenaturais.
Os mitos são narrativas que possuem um forte componente simbólico. Como os povos da antiguidade não conseguiam explicar os fenômenos da natureza, através de explicações científicas, criavam mitos com este objetivo: dar sentido as coisas do mundo. Os mitos também serviam como uma forma de passar conhecimentos e alertar as pessoas sobre perigos ou defeitos e qualidades do ser humano. Deuses, heróis e personagens sobrenaturais se misturam com fatos da realidade para dar sentido a vida e ao mundo.

Algumas lendas, mitos e contos folclóricos do Brasil:
Boitatá
Representada por uma cobra de fogo que protege as matas e os animais e tem a capacidade de perseguir e matar aqueles que desrespeitam a natureza. Acredita-se que este mito é de origemindígena e que seja um dos primeiros do folclore brasileiro. Foram encontrados relatos do boitatá em cartas do padre jesuíta José de Anchieta, em 1560. Na região nordeste, o boitatá é conhecido como "fogo que corre".

Boto
Acredita-se que a lenda do boto tenha surgido na região amazônica. Ele é representado por um homem jovem, bonito e charmoso que encanta mulheres em bailes e festas. Após a conquista, leva as jovens para a beira de um rio e as engravida. Antes de a madrugada chegar, ele mergulha nas águas do rio para transformar-se em um boto.

Curupira
Assim como o boitatá, o curupira também é um protetor das matas e dos animais silvestres. Representado por um anão de cabelos compridos e com os pés virados para trás. Persegue e mata todos que desrespeitam a natureza. Quando alguém desaparece nas matas, muitos habitantes do interior acreditam que é obra do curupira.

Lobisomem
Este mito aparece em várias regiões do mundo. Diz o mito que um homem foi atacado por um lobo numa noite de lua cheia e não morreu, porém desenvolveu a capacidade de transforma-se em lobo nas noites de lua cheia. Nestas noites, o lobisomem ataca todos aqueles que encontra pela frente. Somente um tiro de bala de prata em seu coração seria capaz de matá-lo.

Mãe-D'águaEncontramos na mitologia universal um personagem muito parecido com a mãe-d'água : a sereia. Este personagem tem o corpo metade de mulher e metade de peixe. Com seu canto atraente, consegue encantar os homens e levá-los para o fundo das águas.

Corpo-secoÉ uma espécie de assombração que fica assustando as pessoas nas estradas. Em vida, era um homem que foi muito malvado e só pensava em fazer coisas ruins, chegando a prejudicar e maltratar a própria mãe. Após sua morte, foi rejeitado pela terra e teve que viver como uma alma penada.

Pisadeira
É uma velha de chinelos que aparece nas madrugadas para pisar na barriga das pessoas, provocando a falta de ar. Dizem que costuma aparecer quando as pessoas vão dormir de estômago muito cheio.

Mula-sem-cabeça
Surgido na região interior, conta que uma mulher teve um romance com um padre. Como castigo, em todas as noites de quinta para sexta-feira é transformada num animal quadrúpede que galopa e salta sem parar, enquanto solta fogo pelas narinas.

Mãe-de-ouro
Representada por uma bola de fogo que indica os locais onde se encontra jazidas de ouro. Também aparece em alguns mitos como sendo uma mulher luminosa que voa pelos ares. Em alguns locais do Brasil, toma a forma de uma mulher bonita que habita cavernas e após atrair homens casados, os faz largar suas famílias.

Saci-Pererê
O saci-pererê é representado por um menino negro que tem apenas uma perna. Sempre com seu cachimbo e com um gorro vermelho que lhe dá poderes mágicos. Vive aprontando travessuras e se diverte muito com isso. Adora espantar cavalos, queimar comida e acordar pessoas com gargalhadas.

Curiosidades:

- É comemorado com eventos e festas, no dia 22 de Agosto, aqui no Brasil, o Dia do Folclore.
- Em 2005, foi criado do Dia do Saci, que deve ser comemorado em 31 de outubro. Festas folclóricas ocorrem nesta data em homenagem a este personagem. A data, recém criada, concorre com a forte influência norte-americana em nossa cultura, representanda pela festa do Halloween - Dia das Bruxas.
- A palavra folclore é de origem inglesa. A termo "folk", em inglês, significa povo, enquanto "lore" significa cultura.
- Muitas festas populares, que ocorrem no mês de Agosto, possuem temas folclóricos como destaque e também fazem parte da cultura popular.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Grandes pensadores e suas contribuições para a prática pedagógica.



COMÊNIO
A obra mais importante de Comênio (1592-1670), Didactica Magna, marca o início da sistematização da pedagogia e da didática no Ocidente. No livro, o pensador, que é considerado o primeiro grande nome da moderna história da educação, realiza uma racionalização de todas as ações educativas, da teoria didática até as questões do cotidiano da sala de aula. Nas relações entre professor e aluno seriam consideradas as possibilidades e os interesses da criança. O professor passaria a ser visto como um profissional, não um missionário, e seria bem remunerado por isso. Embora religioso, Comênio propôs uma ruptura radical com o modelo de escola da Igreja Católica, voltado para a elite e dedicado aos estudos abstratos. Ele ousou ser o principal teórico de um modelo de escola que deveria ensinar “tudo a todos”, incluídos os portadores de deficiência mental e as meninas. Comênio acreditava que o homem deve se dedicar a aprender e a ensinar. Assim, ele concluiu que o mais importante na vida não é a contemplação e sim a ação. Comênio queria mudar a escola com a didática e a sociedade com a educação.

 
JEAN-JACQUES ROUSSEAU
O princípio fundamental da obra de Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) é que o homem é bom por natureza, mas está submetido à influência corruptora da sociedade. Publicou, em 1762, suas obras principais, Do contrato social – sua concepção de ordem política – e Emílio – tratado sobre educação, no qual prescreve a formação de um jovem fictício, do nascimento aos 25 anos. O objetivo é não só planejar uma educação com vistas à formação futura, mas também propiciar felicidade à criança enquanto ela ainda é criança. Rousseau intuiu na infância várias fases de desenvolvimento, sobretudo cognitivo. Foi, portanto, um precursor de Maria Montessori e John Dewey. Para Rousseau, a criança deveria ser educada em liberdade e viver cada fase da infância na plenitude de seus sentidos. Ele condenava os métodos de ensino utilizados até ali, por se escorarem na repetição e memorização de conteúdo, e pregava sua substituição pela experiência direta por parte dos alunos, a quem caberia conduzir, pelo próprio interesse, o aprendizado. Mais do que instruir, para Rousseau, a educação deveria se preocupar com a formação moral e política.

 
J. H. PESTALOZZI
Antecipando concepções do movimento da Escola Nova, Johann Heinrich Pestalozzi (1746-1827) afirmava que a função principal do ensino é levar as crianças a desenvolver suas habilidades naturais e inatas. A escola idealizada por Pestalozzi deveria ser não só uma extensão do lar como inspirar-se no ambiente familiar para oferecer uma atmosfera de segurança e afeto. A criança, na visão de Pestalozzi, se desenvolve de dentro para fora. Para o pensador suíço, um dos cuidados principais do professor deveria ser respeitar os estágios de desenvolvimento pelos quais a criança passa. Dar atenção à sua evolução, às suas aptidões e necessidades, de acordo com as diferentes idades, era parte de uma missão maior do educador, a de saber ler e imitar a natureza. O aprendizado seria, em grande parte, conduzido pelo próprio aluno, com base na experimentação prática e na vivência intelectual, sensorial e emocional do conhecimento. É a idéia do “aprender fazendo”, amplamente incorporada pela maioria das escolas pedagógicas posteriores. O que importava não era tanto o conteúdo, mas o desenvolvimento das habilidades e dos valores.

JOHN DEWEY
John Dewey (1859-1952) colocou a atividade prática e a democracia como importantes ingredientes da educação. Foi o nome mais célebre de sua corrente filosófica: pragmatismo ou instrumentalismo. O princípio é que os alunos aprendem melhor realizando tarefas associadas aos conteúdos ensinados. Influenciado pelo empirismo, Dewey criou uma escola-laboratório para testar métodos pedagógicos. Foi um dos primeiros a chamar a atenção para a capacidade de pensar dos alunos. Dewey reconhecia a necessidade da escola, onde as pessoas se encontram para educar e serem educadas. O objetivo da escola deveria ser ensinar a criança a viver o mundo. Educar, portanto, é incentivar o desejo de desenvolvimento contínuo, preparar pessoas para transformar algo. A filosofia deweyana remete a uma prática docente baseada na liberdade do aluno para elaborar as próprias certezas, conhecimentos e regras morais. Isso não significa reduzir a importância do currículo ou do educador. Para Dewey, o professor deve apresentar questões ou problemas e jamais dar respostas ou soluções prontas.

ÉMILE DURKHEIM
Para Émile Durkheim (1858-1917), em cada aluno há dois seres inseparáveis e distintos. Um deles seria o que chamou de individual e a caracterização do segundo ser foi o que lhe deu projeção. Durkheim ampliou o foco conhecido até então, considerando e estimulando também o “outro lado dos alunos”, algo formado por idéias que exprimem, dentro das pessoas, a sociedade de que fazem parte. Para Durkheim, quanto mais eficiente for o processo educativo, melhor será o desenvolvimento da comunidade em que a escola está. Além de caracterizar a educação como um bem social, a relacionou pela primeira vez às normas sociais e à cultura local. Durkheim não desenvolveu métodos pedagógicos, mas suas idéias ajudaram a compreender o significado social do trabalho do professor, tirando a educação escolar da perspectiva individualista. Segundo Durkheim, o papel da ação educativa é formar um cidadão que tomará parte do espaço público, não somente o desenvolvimento individual. Durkheim é também considerado um dos mentores dos ideais republicanos de uma educação pública, monopolizada pelo Estado e laica, liberta da influência do clero romano.


 
MARIA MONTESSORI
Maria Montessori (1870-1952) foi pioneira no campo pedagógico ao dar mais ênfase à auto-educação do aluno do que ao papel do professor como fonte de conhecimento. Individualidade, atividade e liberdade do aluno são as bases da teoria, com ênfase para o conceito de indivíduo como sujeito e objeto do ensino. O objetivo da escola é a formação integral do jovem, uma “educação para a vida”. O método Montessori se inspira na natureza e acredita que nem a educação nem a vida deveriam se limitar às conquistas materiais. Os objetivos individuais mais importantes seriam: encontrar um lugar no mundo, desenvolver um trabalho gratificante e nutrir paz e densidade interiores para ter capacidade de amar. A meta coletiva é vista hoje por seus adeptos como a finalidade maior da educação montessoriana. Os alunos conduziriam o próprio aprendizado e, ao professor, caberia acompanhar o processo e detectar o modo particular de cada um manifestar seu potencial. O método Montessori baseia-se na observação de que meninos e meninas aprendem melhor pela experiência direta de procura e descoberta.

ÉDOUARD CLAPARÈDE
Na história da educação, o nome do psicólogo suíço Édouard Claparède (1873-194) se encontra num ponto de confluência de várias correntes de pensamento. Sua obra favoreceu o desenvolvimento de duas das mais importantes linhas educacionais do século XX, a Escola Nova e o cognitivismo. Muitos pensadores antes de Claparède pregaram a importância de, na prática pedagógica, se levar em conta os processos mentais e a evolução das crianças, mas o faziam de um ponto de vista intuitivo. Claparède, que tinha formação em Medicina, pretendeu construir uma teoria científica da infância. Na introdução de seu livro Psicologia da criança e Pedagogia experimental, o psicólogo diz que o ensino precisaria se basear no conhecimento das crianças. Claparède defendia uma abordagem funcionalista da psicologia. Surge a noção de que a atividade, e não a memorização, é o vetor do aprendizado. Como os demais defensores da escola ativa, Claparède condenava o ensino de seu tempo por não dar suficiente infra-estrutura aos educadores para uma prática profissional metódica, amparada pela ciência e que permitisse a atualização constante.

 
ALEXANDER S. NEILL
O educador, escritor e jornalista Alexander Sutherland Neill (1883-1973) fundou a Summerhill School, e sua escola tornou-se ícone das pedagogias alternativas ao concretizar um sistema educativo em que o importante é a criança ter liberdade para escolher e decidir o que aprender e desenvolver-se no próprio ritmo. Segundo Neill, a educação deve trabalhar com a dimensão emocional, para que a sensibilidade ultrapasse a racionalidade. Para ele, a convivência com os pais, com sua natural superproteção, impedia os filhos de desenvolverem a segurança suficiente para reconhecer o mundo, de forma intelectual, emocional ou artística. Os alunos moravam na escola e os pais visitavam esporadicamente. Neill queria que seu método fosse utilizado como remédio para a infelicidade causada pela repressão e pelo sistema de modelos imposto pela sociedade de consumo, família e pela educação tradicional. Ele acreditava que as crianças eram sensatas, realistas, boas e criativas e, quando educadas sem interferências dos mais velhos, seriam capazes de se desenvolver de acordo com sua capacidade, limites e interesses, sem nenhum trauma.

ANTONIO GRAMSCI
Co-fundador do Partido Comunista italiano, Antonio Gramsci (1891-1937) acreditava que uma tomada do poder teria que ser precedida por mudanças de mentalidade e os agentes dessas mudanças seriam os intelectuais e um dos seus instrumentos, a escola. Para Gramsci, a função do intelectual (e da escola) é mediar uma tomada de consciência (do aluno) que passa pelo autoconhecimento individual e implica reconhecer “o próprio valor histórico”. Na escola prevista por Gramsci, as classes desfavorecidas poderiam se inteirar dos códigos dominantes, a começar pela alfabetização. Para que o aluno adquira criticidade, Gramsci defende para os primeiros anos de escola um currículo que lhe apresente noções instrumentais (ler, escrever, fazer contas, conhecer os conceitos científicos) e seus direitos e deveres de cidadão. Gramsci defendeu a manutenção de “uma escola única inicial de cultura geral, humanista, formativa”. Ao contrário dos pedagogos da escola ativa, Gramsci acreditava que, pelo menos nos primeiros anos, o professor deveria transmitir conteúdos aos alunos.

 
CÉLESTIN FREINET
Muitos dos conceitos e atividades idealizados pelo pedagogo francês Célestin Freinet (1896-1966) se tornaram tão difundidos que há quem os utiliza sem nunca ter ouvido falar no autor. É o caso das aulas-passeio, cantinhos pedagógicos e troca de correspondência entre escolas. Freinet acreditou que é preciso transformar a escola por dentro, pois é onde se manifestam as contradições sociais. Para ele, um dos deveres do professor é criar uma atmosfera laboriosa na escola, para estimular as crianças a fazer experiências, procurar respostas para suas necessidades e inquietações, ajudando e sendo ajudadas por seus colegas e buscando no professor alguém que organize o trabalho. Outra função do professor é colaborar para o êxito dos alunos. Para ele, o fracasso desequilibra e desmotiva o aluno e o professor deve ajudá-lo a superar o erro. Ao lado da pedagogia do trabalho e do êxito, Freinet propôs uma pedagogia do bom senso, pela qual a aprendizagem resulta de uma relação dialética entre ação e pensamento, teoria e prática. A pedagogia de Freinet se fundamenta em quatro eixos: cooperação, comunicação, documentação e afetividade.

 
JEAN PIAGET
Jean Piaget (1896-1980) foi o nome mais influente no campo da educação durante a segunda metade do século XX. Ele criou um campo de investigação que denominou epistemologia genética – centrada no desenvolvimento natural da criança. Educar, para ele, é estimular a procura do conhecimento. Com Piaget, ficou claro que crianças não raciocinam como adultos e apenas gradualmente se inserem nas regras, valores e símbolos da maturidade psicológica. Essa inserção se dá mediante assimilação e acomodação. O primeiro consiste em incorporar objetos do mundo exterior a esquemas mentais preexistentes. Já a acomodação se refere a modificações dos sistemas de assimilação por influência do mundo externo. Segundo Piaget, há quatro estágios básicos do desenvolvimento cognitivo: sensoriomotor que vai até os 2 anos; pré-operacional (2 aos 7 anos) que se caracteriza pelo surgimento da capacidade de dominar a linguagem e a representação do mundo por meio de símbolos; operações concretas (7 aos 11/12 anos), que tem como marca a aquisição da noção de reversibilidade das ações; e as operações formais, por volta dos 12 anos, onde inicia a idade adulta.

LEV VYGOTSKY
A parte mais conhecida da obra de Lev Vygotsky (1896-1934) converge para o tema da criação da cultura. Vygotsky atribuía um papel preponderante às relações sociais, por isso a corrente pedagógica é chamada de socioconstrutivismo. Para Vygotsky, a formação se dá numa relação dialética entre o sujeito e a sociedade a seu redor. Outro conceito-chave de Vygotsky é a mediação. Segundo ele, o primeiro contato da criança com novas atividades, habilidades ou informações deve ter a participação de um adulto. O aprendizado não se subordina totalmente ao desenvolvimento das estruturas intelectuais da criança, mas se alimenta do outro, provocando saltos de nível de conhecimento. O ensino, para Vygotsky, deve se antecipar ao que o aluno ainda não sabe nem é capaz de aprender sozinho. Isso é um de seus principais conceitos, o de zona de desenvolvimento proximal, que é a distância entre o desenvolvimento real da criança e aquilo que ela tem potencial de aprender. Saber identificar essas duas capacidades e trabalhar o percurso de cada aluno entre ambas são as principais habilidades que um professor precisa ter.

CARL ROGERS
A terapia do norte-americano Carl Rogers (1902-1987) se define como centrada no cliente, porque cabe a ele a responsabilidade pela condução e sucesso do tratamento. A tarefa do professor é facilitar o aprendizado que o aluno conduz a seu modo. O objetivo do professor é permitir que seus alunos se tornem pessoas “plenamente funcionais”, ou seja, saudáveis. As principais marcas dessa funcionalidade são a abertura a novas experiências, a capacidade de viver o aqui e o agora, a confiança nos próprios desejos e intuições, a liberdade e a responsabilidade de agir e a disponibilidade para criar. Para que o professor seja capaz de exercer seu papel, três qualidades são requeridas: congruência – ser autêntico com o aluno; empatia – compreender seus sentimentos; e respeito. No campo da educação, sua atenção recaiu sobre a relação aluno-professor, que deve ser impregnada de confiança e destituída de noções de hierarquia. Avaliações, recompensas e punições estão excluídas, exceto na forma de auto-avaliação. Embora anticonvencional, a pedagogia rogeriana não significa abandonar os alunos, mas dar apoio para que caminhem sozinhos.

LAWRENCE STENHOUSE 
Para Lawrence Stenhouse (1926-1982), todo educador tinha de assumir seu lado experimentador no cotidiano e transformar a sala de aula em laboratório. O profissional deveria lançar mão de estratégias variadas até obter as melhores soluções para garantir a aprendizagem da turma. Na década de 1970, Stenhouse fundou o Centro para Pesquisa Aplicada em Educação, com o objetivo principal de elaborar um modelo de ensino no qual todo professor fosse capaz de manter a autoridade, a liderança e a responsabilidade em sala de aula sem transmitir a mensagem de que só o saber lhe confere esse poder. Para Stenhouse, a investigação no cotidiano escolar deveria envolver, além dos professores, também os estudantes e a própria comunidade. É o que chamou de pesquisa-ação: classes que servem de laboratório. Stenhouse estimulou a pesquisa na Educação Básica, mas dizia que o professor também deveria se preocupar em desenvolver o próprio currículo escolar, trocando experiências com colegas e estudantes. Esse processo se daria por meio da reflexão de cada profissional sobre sua prática diária.

 
EMILIA FERREIRO
A divulgação dos livros da psicolingüista argentina Emilia Ferreiro no Brasil causou grande impacto sobre a concepção do processo de alfabetização, influenciando as normas do governo, expressas nos Parâmetros Curriculares Nacionais. As obras de Emilia não apresentam nenhum método pedagógico, mas revelam os processos de aprendizado das crianças. As descobertas levam a conclusão de que as crianças constroem o próprio conhecimento. A implicação é transferir o foco da escola e da alfabetização do conteúdo para o aluno. No processo, a criança passa por etapas, com avanços e recuos, até se apossar do código lingüístico e dominá-lo. Duas conseqüências do construtivismo são respeitar a evolução da criança e compreender que um desempenho mais vagaroso não significa menos inteligência ou dedicação. Outra noção é que o aprendizado não é provocado pela escola, mas pela mente das crianças. De acordo com Emilia, desempenhos díspares apresentados por crianças de classes sociais diferentes na alfabetização não revelam capacidades desiguais, mas o acesso maior ou menor a textos lidos e escritos desde os primeiros anos de vida.
Por:Luciana Moreira Ferreira e  o presidente da Academia Brasileira de Filosofia, João Ricardo Moderno.

GALILEU GALILEI



Galileu GalileiFísico, Matemático e astrônomo Italiano, Galileu Galilei (1564-1642) descobriu a lei dos corpos e enunciou o princípio da Inércia. Por pouco Galileo não seguiu a carreira artística. Um de seus primeiros mestres, d. Orazio Morandi, tentou estimulá-lo a partir da coincidência de datas com Michelângelo (que havia morrido três dias depois de seu nascimento). Seu pai queria que fosse médico, então desembarcou no porto de Pisa para seguir essa profissão. Mas era um péssimo aluno e só pensava em fazer experiências físicas (que, na época, era considerada uma ciência de sonhadores).
Aristóteles era o único que havia descoberto algo sobre a Física, ninguém o contestava, até surgir Galileu. Foi nessa época que descobriu como fazer a balança hidrostática, que originaria o relógio de pêndulo. A partir de um folheto construiu a primeira luneta astronômica em Veneza. Fez observações da Via Láctea a partir de 1610 que o levaram a adotar o sistema de Copérnico. Pressionado pela Igreja, foi para Florença, aonde concluiu com seus estudos que o Centro Planetário era o Sol e não a Terra, essa girava ao redor dele como todos os planetas. Foi condenado pela inquisição e teve que negar tudo no tribunal. Colocou em discussão muitas idéias do filósofo grego Aristóteles, entre elas o fato de que os corpos pesados caem mais rápido que os leves, com a famosa história de que havia subido na torre de Pisa e lançado dois objetos do alto. Essa história nunca foi confirmada, mas Galileu provou que objetos leves e pesados caem com a mesma velocidade. Ao sair do tribunal, disse uma frase célebre: "Epur si Muove!", traduzindo, " e com tudo ela se move ". Morreu cego e condenado pela igreja, longe do convívio público. 341 anos após a sua morte, em 1983, a mesma igreja, revendo o processo,decidiu pela sua absolvição.
Principais Realizações
  • A Luneta Astronômica, com a qual descobriu, entre outras coisas, as montanhas da Lua, os satélites de Júpiter, as manchas solares, e, principalmente, os planetas ainda não conhecidos.
  • A balança hidrostática
  • O compasso geométrico e militar
  • Foi o primeiro a contestar as idéias de Aristóteles
  • Descobriu que a massa não influi na velocidade da queda.

terça-feira, 3 de maio de 2011

A Formação Humana na Educação Ateniense.


INTRODUÇÃO
Quando sondamos os primórdios da educação verificamos que certas culturas possuem um leque de influências sobre a contemporaneidade. Mas, uma delas,  em especial, se destaca: a cultura grega. Não seria incorreto afirmar que a riqueza do pensamento grego só se expandiu com consistência e longo alcance após surgimento do helenísmo, durante o imenso império de Alexandre Magno, onde diversas culturas se fundiram e se entrelaçaram sob um único governo. Entretanto, a pureza da erudição grega pode ser vista como o mais profundo elemento influente na estrutura humana global, isto é, a Grécia Antiga é a base do mundo atual e todo conhecimento que dela emana faz parte de nosso cotidiano.
Partindo da ideia descrita acima, vamos apresentar, nesta pesquisa, uma visão conceitual da influência educacional grega no ensino da atualidade. O sistema, as relações sociais, o contexto histórico serão abordados de maneira a definir a aprendizagem na Grécia Antiga.
Antes, porém, considerando a vastidão do conhecimento grego,  é necessário afunilar o assunto a ser apresentado. Na Antiguidade grega, duas cidades-estado possuíam destaque inquestionável perante as outras; eram elas Atenas e Esparta, ambas consideradas ''berços'' de instituições hoje primordiais na sociedade mundial. Esta última, é conhecida como uma cidade essencialmente militar, de potente educação física e ensino rígido, conciso, limitado e imutável. Já em Atenas, a educação era distinta, possuía enfoque em política, filosofia, retórica e dialética, sendo, portanto, genuinamente intelectual e incentivadora da criticidade e da evolução do cidadão. Dados tais aspectos, definimos Atenas como elemento da pesquisa elaborada a seguir, pois sua educação visa a completa formação humana, obviamente citada no título do trabalho.
Para estabelecer a base científica deste estudo, nos reportamos aos seguintes autores: ARANHA (2008), CHÂTEAU (1978), FARIA (1994), JAEGER (1966), KIERKEGAARD (1991).
CAPÍTULO I
1 Elementos da ''Paidéia''
Paidéia, segundo Jaeger (1966), era o "processo de educação em sua forma verdadeira, a forma natural e genuinamente humana" na Grécia Antiga. Inicialmente, a palavra paidéia (de paidos - criança) significava simplesmente "criação de meninos". Mas este significado inicial da palavra está muito longe do elevado sentido que mais tarde adquiriu. O termo também significa a própria cultura construída a partir da educação. Era o ideal que os gregos cultivavam do mundo, para si e para sua juventude. Uma vez que o governo próprio era muito valorizado pelos gregos, a Paidéia combinava ethos (hábitos) que o fizessem ser digno e bom tanto como governado quanto como governante. O objetivo não era ensinar ofícios, mas sim treinar a liberdade e nobreza. Paidéia também pode ser encarada como o legado deixado de uma geração para outra na sociedade.
1.1 Herança cultural grega
Somos herdeiros dos gregos e fiéis depositários do seu legado cultural; na sua atividade racional e nos seus ideais se encontram algumas das nossas raízes culturais mais profundas. Nossa cultura européia ocidental é o produto do cruzamento de algumas linhas de força essenciais, como: a inteligência grega, o direito romano e a religião cristã. Política, filosofia e retórica são elementos fundamentais entre os saberes da atualidade e são, de modo genuíno e original, criações dos pensadores gregos.
1.2 A política
A palavra tem origem nos tempos em que os gregos estavam organizados em cidades-estado, denominadas "polis", nome do qual se derivaram palavras como "politiké" (política em geral) e "politikós" (dos cidadãos, pertencente aos cidadãos), que estenderam-se ao latim "politicus" e chegaram às línguas européias modernas através do francês "politique" que, em 1265 já era definida nesse idioma como "ciência do governo dos Estados". O termo é derivado da palavra grega ???????? (politeía), que indicava todos os procedimentos relativos à polis, e à sociedade, comunidade, coletividade, bem como outras definições referentes à vida urbana.
1.3 A filosofia
O termo filosofia nasceu na língua grega,  ( philos - amor, admiração + sophia - sabedoria) , e significa ''aquele que ama a sabedoria'', e é definida como a vera investigação crítica e racional dos princípios fundamentais relacionados ao mundo e ao homem. Apesar de surgir como oposição à crença nos deuses e à religião, a filosofia, segundo Platão e Aristóteles, constituiu o mito como matéria-prima de sua reflexão, pois com o elemento mítico, ela se propunha a revelar que a pretensa separação entre esses dois modos do homem interpretar a realidade não é tão nítida como aparentemente se julga.
1.4 A retórica
A retórica é a técnica, ou a arte, de convencer o interlocutor através da oratória, ou outros meios de comunicação. Classicamente, o discurso no qual se aplica a retórica é verbal, mas há também ? e com muita relevância ? o discurso escrito e o discurso visual. Para os gregos, a retórica era a principal vertente do exercício da política, pois, com ela, o cidadão expunha suas teses relativas ao cotidiano da polis e emana seu poder de persuasão, por meio da eloquência; neste exato momento, na oratória, vê-se nitidamente os níveis sociais que  constituem a sociedade grega, pois quem embutisse no ouvinte sua linha de raciocínio mais convincente, teria mais prestígio e privilégios perante a comunidade.
1.5 A dialética
Dialética advém de um termo grego e, na  Grécia Antiga, era a arte do diálogo, da contraposição e contradição de ideias que leva a outras ideias. Segundo Platão, ela era o método mais eficaz de aproximação entre as ideias particulares e as ideias universais ou puras, sendo até considerada um sinônimo da filosofia. A dialética se baseava na ideia de que nenhum conceito é definitivo ou supremo, mas existem três estágios de discussão do conhecimento: tese, onde há a construção conceitual; a antítese, na qual se contrapõe a ideia inicial; e síntese, que une as duas concepções em uma só. Considerando que a síntese elaborada também é uma tese, o ciclo de debate sobre o assunto em questão, qualquer que seja, é infinito.
2 Contexto histórico
Analisando as práticas e os elementos que compõem a Paidéia, verificamos que a educação estava estabelecida sob um veú de interesse social por parte da minoria detentora do poder público. Portanto, se faz de grande importância o reconhecimento do momento histórico que permeava Atenas e influênciou o sistema educacional grego. 
2.1 O século de Péricles
 
Designa-se como século de Péricles o período histórico compreendido entre o cerco de Samos por parte dos atenienses (439 a. C.) e a derrota dos gregos na Batalha de Queroneia, frente o exército macedônio de Filipe II (338 a. C.). No ápice da era clássica da Grécia, Péricles foi um estratego, político e orador ateniense que soube rodear-se das personalidades mais destacadas da época, homens que sobressaíam na política, filosofia, arquitetura, escultura, história e estratégia. Fomentou as artes e as letras e deu a Atenas um esplendor que não se voltaria a repetir ao longo da História. Realizou também grandes obras públicas e melhorou a qualidade de vida dos cidadãos. Por isso é que importante figura legou o seu nome ao "século de ouro ateniense", o apogeu da Grécia Antiga. Em seu governo, Pireu, o porto que servia à Atenas, foi melhorado e seu movimento tornou-se o maior de toda Grécia, além disso, ampliou a esquadra com construção de grandes navios, visando a defesa da cidade. Ilustres homens atenienses perpetuaram seus nomes durante o poderio de Péricles; entre eles, podemos destacar Sócrates, o primeiro grande filósofo, e Heródoto, o pioneiro entre os historiadores. Péricles ficou vastamente conhecido por basear sua carreira política e social nos elementos primordiais do que surgia como Paidéia; pois além de conhecer significativamente os preceitos de  política, filosofia, arquitetura, escultura, história e estratégia, fixou sua autoridade e estabelecendo-se com sua persuasão por meio da retórica, algo que os próprios atenienses consideravam como arte.
CAPÍTULO II
1  Os grandes filósofos e a educação formal
Durante o apogeu ateniense, o saber filosófico ganhou altos patamares e solidificou-se como a fonte de maior credibilidade e detentora de novos adeptos em todo território grego. As palestras na ágora grega, debates em assembleias e conselhos políticos de Atenas passaram a ser tratados como uma nova vertente do ensino, isto é, os filósofos obtiveram a graduação de mestres, pois manipulavam e transmitiam os ensinamentos. Assim, nascia a educação formal, elaborada pelas poderosas famílias para a manutenção do domínio sócio-econômico sobre as demais classes. Dentre  as célebres figuras atuantes no contexto histórico e social da Paideia, serão destacadas três personalidades e uma polêmica corrente filosófica.
1.1 A escola sofista
Os sofistas se compunham de grupos de mestres que viajavam de cidade em cidade realizando aparições públicas discursos para atrair estudantes, de quem cobravam taxas para oferecer-lhes educação. O foco central de seus ensinamentos concentrava-se no logos ou discurso, com foco em estratégias de argumentação. Os mestres sofistas alegavam que podiam "melhorar" seus discípulos, ou, em outras palavras, que a ''virtude'' seria passível de ser ensinada. Eles foram os primeiros advogados do mundo, ao cobrar de seus clientes para efetuar suas defesas, dada sua alta capacidade de argumentação. São também considerados por muitos os guardiões da democracia na antiguidade, na medida em aceitavam a relatividade da verdade.
O termo que nomeia a referida corrente filósofica não significa puramente uma concepção de falsidade, conforme nos reportamos hoje à palavra sofisma; a definição não deixa de ser a origem da ideia que nos remete à mentira, mas ela está ligada mais linearmente à persuasão, poder de convencimento, ou seja, ao resultado e alcance da retórica e da oratória. Os sofistas são os primeiros a romperem com a busca pré-socrática por uma unidade originária (a  physis), iniciada com Tales de Mileto e finalizada em Demócrito de Abdera, que embora tenha falecido pouco tempo depois de Sócrates, tem seu pensamento inserido dentro da filosofia pré-socrática. A principal doutrina sofística pode ser expressa pela máxima de Protágoras: "O homem é a medida de todas as coisas". Tal máxima expressa o sentido de que não é o ser humano quem tem de se moldar a padrões externos a si, que sejam impostos por qualquer coisa que não seja o próprio ser humano, e sim o próprio ser humano deve moldar-se segundo a sua liberdade.

1.2 Sócrates: a ironia e o parto das ideias
Nascido e criado em Atenas, Sócrates foi um dos mais importantes expoentes e um dos fundadores da Filosofia Ocidental. As fontes mais importantes sobre ele emanam de Platão, Xenofonte e Aristóteles, existindo, inclusive, historiadores que defendam a teoria de que o filósofo seria um personagem platônico, pois não foi localizado nenhum registro escrito do próprio Sócrates. Os diálogos de Platão o retratam como mestre que se recusava a ter discípulos, e um homem piedoso que foi executado por impiedade. Sócrates não valorizava os prazeres dos sentidos, mas se escalava o belo entre as maiores virtudes, junto ao bom e ao justo. Por meio deu método dotado de ironia, criou o chamado parto das idéias, ou Maiêutica (que possui o mesmo significado de obstetrícia, e está vinculada aos elementos da reprodução da mulher), pela qual seu nome se destacaria historicamente.
 método socrático consiste numa prática muito famosa em que o filósofo, utilizando um discurso caracterizado pela Maiêutica, isto é, levar ou induzir uma pessoa, por ela própria e por seu próprio raciocínio, ao conhecimento ou à solução de sua dúvida e, pela ironia, levava o seu interlocutor a entrar em contradição, conduzindo-o à conclusão de que o seu conhecimento possui severas limitações. A abordagem educativa de Sócrates, o grande filósofo grego do século V a.C., tem como objetivos a geração e validação de idéias e conceitos baseada em perguntas, respostas e mais perguntas. Segundo Kiekegaard (1991), a assim chamada Maiêutica é o método que consiste em parir idéias complexas a partir de perguntas simples e articuladas dentro de um contexto.
1.3 A Academia de Platão
O ateniense Platão foi um filósofo e matemático do período clássico grego, autor de diversos diálogos filosóficos e fundador da famigerada Academia de Atenas, considerada a primeira instituição de ensino superior do Mundo Ocidental. Juntamente com seu mentor, Sócrates, e seu discípulo, Aristóteles, Platão construiu os alicerces da filosofia natural e ocidental, e da ciência. Crê-se que seu nome verdadeiro seria Arístocles, e Platão era um apelido que fazia referência ao porte atlético ou os ombros largos, ou talvez ainda a sua imensa capacidade intelectual de abordar diferentes temas, como ética, política, metafísica e teoria do conhecimento.
A Academia de Platão foi fundada em, aproximadamente, 387 a.C., nos jardins localizados no subúrbio de Atenas, consagrados à deusa Atena, e tradicionalmente haviam pertencido ao herói Academo. Caracterizada, inicialmente, pela continuidade dos trabalhos desenvolvidos pelos pitagóricos, com os quais Platão mantinha estreita relação; especialmente com seu mestre Teodoro de Cirene e Arquitas de Tarento, é reconhecida como a primeira escola de filosofia que existe. Nela, mulheres eram admitidas na condição de se vestirem como homens. Sem dúvida, o grande aluno da Academia foi Aristóteles, que ingressou aos 17 anos de idade.
Segundo Château (1978), o pupilo de Sócrates primava pelo ensinamento dialético, onde o saber era encontrado mediante um processo cíclico e individual, ou seja, pela busca através dos constantes questionamentos. Sua escola rivalizava, assim, com sua contemporânea, a de Isócrates, na qual o conhecimento consistia meramente na assimilação daquele saber que já havia sido produzido, algo comum nas escolas atuais.
O termo "Academia" ganhou, desde então e até os dias atuais, a concepção de local onde o saber não apenas é ensinado, mas produzido, no qual o saber é questionado, transformado e evolui.
1.4 A Educação Aristotélica

Considerado um dos maiores pensadores de todos os tempos, Aristóteles iniciou sua vida estudantil ao partir de sua terra natal, Estagira, na Calcídia, para Atenas, maior centro intelectual e artístico da Antiga Grécia.
Após seu desenvolvimento enquanto membro da Academia Platônica, Aristóteles prestou contribuições básicas em diversas áreas do conhecimento humano, destacando-se: ética, política, física, metafísica, lógica, psicologia, poesia, retórica, zoologia, biologia e história natural. É também considerado por muitos o filósofo que mais influenciou o pensamento ocidental, além de criar termos que passaram para quase todas as línguas modernas, como: atualidade, axioma, categoria, energia, essência, potencial, potência, tópico, virtualidade, entre outros. A influência aristotélica também pode ser percebida em obras sobre astronomia, como a famosa "A Divina Comédia", de Dante Alighieri, que baseia-se em Aristóteles e seus comentadores.
De acordo com Faria (1994), para Aristóteles, a educação é superior às leis e o círculo da ciência do humano se encerra na educação. Ela deve ser pública e  direcionada para a virtude, que demanda em boa parte da educação, da experiência e do tempo. Para Aristóteles, é praticando as virtudes que nos tornamos virtuosos. Tornamo-nos virtuosos não por sabermos o que é a justiça, mas por a praticarmos. E tanto mais justos seremos quanto mais a justiça praticamos. Não é a discussão ou visão filosófica que conduz por si a virtude, mas a prática da mesma; diz o filósofo que, como nenhum doente se cura por concordar com o seu médico sem lhe cumprir as receitas prescritas, assim é com a virtude. Não são os mais fortes que ganham, mas os que competem, ou seja, os que praticam. Aristóteles lembra ainda que a Política deve preparar as leis que permita a educação para a virtude, caminho para a felicidade dos cidadãos.
A escola criada por Aristóteles, em 335 a.C., ficou conhecida como Liceu. Estava sediada no bosque consagrado a Apolo Lykeios, provavelmente a origem do nome de sua escola, a leste de Atenas. Foi também conhecida por Peripatos, ou escola peripatética. Os discursos feitos pelo mestre de Alexandre Magno eram divididos entre os esotéricos, feitos pela manhã, e os exotéricos, estes pela tarde. Enquanto aqueles eram direcionados a um público mais restrito já que exigiam estudos mais avançados - lógica, física e metafísica - os exotéricos eram destinados a um público em geral, e diziam respeito a temas mais acessíveis, como retórica, política e literatura.
2 A formação integral
Uma vez analisados detalhadamente os elementos que compunham a ideologia e o saber na educação em Atenas, veremos a seguir a primeira estrutura educacional formal de que se tem notícia: a Paidéia grega. Como observamos anteriormente, filósofos e outras personalidades intelectuais da Grécia Antiga tiveram crucial influência na formação do cidadão ateniense, contudo, iremos agora nos atentar para a organização da escola, seu funcionamento e finalidade.
2.1 A estrutura da Paidéia
A ênfase dada à formação integral deu origem a um conceito de complexa definição, ou seja, à Paidéia, palavra provavelmente cunhada em torno do século V a.C., e que representava um ideal de formação constante no mundo grego. A prinicípio, a Paidéia estava ligada somente à educação dos meninos, mas com o tempo, passou adqurir nuanças que tornaram de impossível tradução (ARANHA, 2008). Sobre a referida educação, vemos a seguinte citação:
Não se pode evitar o emprego de expressões modernas como civilização, cultura, tradição, literatura ou educação; nenhuma delas, porém, coincide realmente com o que os gregos entendiam por Paidéia. Cada um daqueles termos se limita a exprimir um aspecto daquele conceito global e, para abranger o campo total do conceito grego, teríamos de empregá-los todos de uma só vez. (JAEGER, p. 1, 1966).
Segundo o historiador grego Tucídides (século V a.C.), Atenas foi a "escola de toda a Grécia". A concepção ateniense de Estado fez surgir a figura do cidadão da polis. Juntamente aos cuidados com a educação física, destacava-se a formação intelectual, para que melhor se pudesse participar dos destinos da cidade e os debates nas assembleias. Com a ascensão dos comerciantes, em oposição à aristocracia, vigente à época, uma alternativa de poder trouxe consigo uma nova educação. Nela, a criança - sempre do sexo masculino -  ingressava aos 7 anos e, desprendendo-se da figura materna, era iniciado na alfabetização, e nas educações física e musical (ARANHA, 2008).
Um escravo acompanhava o desenvolvimento do menino, e era conhecido como pedagogo: do grego paidagogos, e significa "aquele que conduz". O aluno era levado à palestra, local onde praticava exercícios físicos sob a orientação de um instrutor, denominado pedótriba. Lá, aprendia o pentatlo, que concebia cinco modalidades, como corrida, salto, lançamento de disco e dardo, além da luta. Os ensinamentos físicos ocorriam em conjunto com uma profunda orientação mental, moral e estética, bem como o aprendizado do domínio sobre o corpo.
A música, ou "arte das musas", abrangia toda concepção de educação artística , sendo que os jovens bem-educados aprendiam a tocar instrumentos como lira, cítara, flauta, entre outros; além disso, havia ensino de canto, declamação de poesias - que eram acompanhadas de instrumentos musicais - e dança.
A leitura e a escrita, por muito tempo, estavam aquém da atenção dada aos esportes e às práticas musicais, sendo o mestre de letras um sujeito humilde, sem prestígio e vigor físico. Mas com o passar do tempo, a exigência de uma maior formação intectual e a amplitude de figuras como Sócrates, Platão e Aristóteles, surgiram, enfim, três níveis estabelecidos de educação: mentar, secundária e superior.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com as esplanações a cerca da educação em Atenas, foram definidos alguns objetivos a serem alcançados pela leitura e reflexão a cerca do trabalho. O primeiro, consiste em reconhecer os aspectos sociais, econômicos, políticos e culturais da mais avançada polis grega por meio da apresentação de seu contexto histórico e da evolução intelectual durante o período clássico, época em que a região atinge seu ápice e, ao seu fim, encontra sua decadência com o início do período helenístico no domínio avassalador de Alexandre, o Grande.
Obtendo significativo conhecimento do momento histórico ateniense, partimos para uma segunda meta: descorrer sobre os diversos métodos de educação existentes à época.
Desde o conceito de Paidéia até a teoria da virtude aristotélica, verificamos que o pensamento grego estabeleceu uma concepção mais ampla e completa sobre o ensino; sem deixar de manter o ''corpo são'', os atenienses se distinguiram das outras polis, sobretudo do militarismo de Esparta, e investiram na intelectualidade, no saber elaborado e no ''ócio digno'' para exercício da reflexão, salientando a importância de ter a ''mente sã''. A educação grega, sobretudo em seu centro, Atenas, influenciou o mundo oriental, mas foi no Ocidente que atingiu uma expansão homérica, tornando-se a base sólida para a constituição de variadas áreas do conhecimento humano na atualidade. Democracia, filosofia e inúmeras ciências naturais, exatas e sociais são exemplos do que nasceu dos ensinamentos moldados na Grécia Antiga, além de outras criações históricas, que apesar de consideradas originais, como o Direito Romano, apresentam pontos centrais da sabedoria helênica.
Por tudo já observado, a conclusão é que a cultura grega é, provavelmente, a mais influente e determinante para o surgimento de outras culturas e outros saberes em toda a história da humanidade, visto que suas ideologias fazem a manutenção de patamares dificilmente atingíveis pelo conhecimento atual, devido à profundidade dos métodos de pesquisa e debate, bem como o exercício dessas ideias, ainda que próximas da utopia. Enfim, estipula-se como terceiro objetivo do trabalho sugestionar uma constante e incessante reflexão sobre a eficiência e alcance da educação ateniense no mundo do século XXI, isto é, exercitar o aperfeiçoamento educacional por sua análise e discussão antes da mudança prática, algo que conhecemos como a melhor definição de Pedagogia.
REFERÊNCIAS
ARANHA, M. L. de A. História da Educação e da Pedagogia: Geral e Brasil. 3 ed. São
Paulo: Moderna, 2008.
CHÂTEAU, Jean. Os grandes pedagogistas. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1978.
FARIA, Maria do Carmo Bettencourt de. Aristóteles. A plenitude como horizonte do ser. São Paulo: Moderna, 1994.
JAEGER, Werner Wilhelm. Paideia: A formação do homem grego. São Paulo: Herder, 1966.
KIERKEGAARD, S.A. O conceito de ironia: Constantemente referido a Sócrates. Petrópolis: Vozes, 1991.
LARSEN, S. Imaginação mítica: a busca de significado através da mitologia pessoal. Waltensir D. (trad.). Rio de Janeiro: Campus, 1991.
MIGLIAVACCA, E. M. Jogo de opostos: uma aproximação à realidade mental através do mito de Dionísio. Psicol. USP, São Paulo, v. 10, n. 1, 1999. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?scripta=sci_arttext&pid=S0103-65641999000100015&Ing=pt&nrm=isso. Acesso em: 10 mar 2008.
Fonte:Autor: Rafael Botelho
Data: 13/04/2011
http://www.pedagogia.com.br/artigos/formacaohumana/index.php?pagina=0